DEUS E O COMPASSO. Nesta pintura de William Blake, Deus utiliza um compasso para tornar real o desenho criativo.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Sobre os personagens bíblicos: um livro fascinante


Boa parte das pessoas que lêem as Sagradas Escrituras diz, entre entediadas ou decepcionadas, que nada aproveitaram e nem entenderam coisa alguma. Deve-se lhes dar o desconto, já que preferem assumir a sua ignorância a declarar seus preconceitos. Ignorância tem jeito. Mas, contra o preconceito não há cura que se conheça, sobretudo quando constitui a mola mestra desse inconsciente, irracional além de inusitado rancor. Mas, a cada um o que mais lhe apraz e a todos o que melhor lhes apetece. Assim seja! E paz a todos de boa vontade. Boa vontade (frisamos de novo)! Para quebrar a rigidez da narração das escrituras, não há como reler comentários e apreciações literárias a respeito delas. Outrossim, a boa ficção sobre seus vultos e a ocorrência de eventos chamativos pode constituir um processo elementar de aprendizagem bem salutar e próprio para remanejar alguns preconceitos... Assim ao glosar uma excelente obra aparecida no mercado livreiro sobre notória matriarca, Sarai, estamos cumprindo dever de esclarecer e de divulgar ensinamentos, através de meios menos catequéticos e didáticos, e, com vistas às qualidades meramente literárias daqueles que tratam de temas tidos como canônicos, e que nem sempre são convidativos, com prazer e alegria e, sem dúvida, com a habilidade e a maestria de virtudes e talentos literários apreciáveis quando não encantadores.
Dessarte, a vida romanceada (Sara. HALTER, Marek. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2004. Coleção: “As heroínas da Bíblia”) da grande mãe, Sara da coleção: “As heroínas da Bíblia”, autoria de Marek Halter, escritor nascido em Varsóvia, na Polônia, em 1936 e se fixou em Paris mais tarde, indo trabalhar num Kibutz em Israel, encaixa-se perfeitamente em uma ficção sobre personagens históricos, fácil de ler e profundamente emocionante que tanto dignifica o autor quanto à sua personagem. Com tal desenvoltura trata Marek Halter desse vulto bíblico, que se lhe pode imputar certa identificação não só sentimental, mas, sobretudo mística com ela. Há trechos de impressionante ligação entre o autor e os sentimentos descritos, a ponto de se dizer, que só mesmo o fruto de uma cultura tão identificada com a Bíblia seria capaz de tanta compreensão e participação. Um livro vale tanto pela limpidez de seu texto, quanto pela felicidade na abordagem do tema. Sem pieguismo, e sem excesso de reverência, soube o autor encarnar o drama de uma mulher sofrida, e o fez sem beatices e outras fraquezas, quando o seu texto ganha, então, dignidade e reverência, firmeza e propósito de quem não só lê ou escreve sobre uma das mais dignas heroínas daqueles dias imemoriais, mas de quem é bafejado pela fé a qual ela mesma evidenciou no seu drama. Dizem os kabalistas que, quando Deus quer abandonar uma criatura, toma-lhe o sentimento de fé. É deveras um fato! Pois sem fé, a vida é um deserto em céu aberto.
A heroína em apreço é a própria fé, translúcida, inefável, absolutamente, límpida e majestática. Mas, sofrida e vívida, pois toda fé é fogo ardente que queima, e destrói, consome e prepara o ser para a Eternidade. No entanto, notável é como o autor sem a pretensão de definir o que lhe parece ser a fé, consegue auscultá-la, senti-la e descrevê-la de modo tão perfeito e peremptório. Só mesmo quem possa ter sido criado em pleno convívio de fé, filho que é de família de judeus a todo o momento testado em suas mais entranhadas convicções e de permanente convivência com as escrituras, só mesmo através deste aprendizado seria capaz de recriar em ficção um personagem de tanta firmeza e beleza, capaz de nos levar a transes emocionais tão intensos.
Não deixem de ler, pois não é toda hora que se consegue experenciar com tamanha realidade os sofrimentos que formaram a espiritualidade dessas criaturas bafejadas pelo amor do Criador, “Kadosh Baruck Hu” (Louvado seja!).
IHVH, o deus de Abraão, senhor das almas, as quais ELE jamais abandona, mas que com elas convive, em as ensinado e com elas também aprendendo, pois, como demonstra a KBL, ELE precisa delas, tanto quanto elas DELE! Essa interatividade e ressonância se dão por amor. O amor exige cumplicidade. Sem o quê não há fé nem afeto. A grandeza do misticismo hebraico, ao contrário de outros mitos, é que não traz a divindade ao nível do homem, mas, este ao nível da divindade. Há de o ser humano fazer a semelhança com a imagem da qual foi feito, e só assim realizará a obra para a qual foi destinado. Assim seja!

Paz Plena.

Ozampin – dez. 2012.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

DE NOVO UM VELHO TEMA: A CATASTROFEMANIA DOS PEQUENOS PROFETAS


“Somos o que pensamos”. (Buda)

Ideologias, teorias e/ou várias concepções de vida e mesmo modismos intelectuais tanto como escolas de pensamento, não são, senão meros esforços de privilegiadas inteligências em sistematizarem e explicarem modos do pensamento vigente em cada época.
O esoterismo com “s” é sob este aspecto apenas uma abordagem sobre os fundamentos daquilo que é mais oculto, portanto, menos transparente, embora altamente relevante. No entanto, é bom distinguir o que vem a ser concepção esotérica de profecias de alguns esoteristas que se acreditam profetas. Ora, o esoterismo é coisa séria, mais, nem todos que se dizem esoteristas (ou erradamente esotéricos) o são. Alguns querem só aparecer. A receita para eles são as melancias que nas safras cobrem-lhes as cabeças. Cassandras dos desastres apocalípticos revelam através de suas amargas e horrendas hipóteses sobre catástrofes cósmicas o desejo malsão de inconscientes punições, já que se julgam merecedores de castigos que lhes poupou a misericórdia divina.
Cassandras, as melancias estão ai, poupemos os pobres do gênero humano de suas aleivosias. A vida é dádiva de Deus. Cabe-LHE doá-la ou não. Desastres acontecerão ou não sob SUA égide, apraza ou não aos medos e culpas de irrelevantes teorias. Embora astronomicamente saiba-se de que se processa um realinhamento de astros na Via Láctea, e como se acredita que os seres celestiais influenciam em nossos pensamentos, não se pode admitir que isto indique ou venha indicar catástrofes. Daí César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
Para o desfile do próximo ano procurem novas melancias.
Realinhamento para a Kabbalah é tikun que é renascimento, vigência do novo sobre o velho, e não desastre, o que é positivo e não nefasto. Que venham todos os tikunes! Mas, sem o pessimismo e a má vontade desses profetas menores do mal. Que possamos comemorar em paz os festejos deste fim de ano.
Baal Shem Tov ensinava que a tristeza é uma ingratidão para com Deus. O que diria dessa mania de catástrofes que tomou corpo no esoterismo hodierno?
Verbalizar pensamentos nefastos para a humanidade é testemunhar o seu desamor pela vida. Um pouco de pudor de sua malevolência individual que não seja estendida a todos, que caia sobre cada um a responsabilidade de seus agouros, porque a vida é algo precioso, de que dispomos, e que a cada um cabe vivenciá-la do seu jeito ou não: os cassandras acordam de mau humor! Que pena! Nós outros pobres seres humanos louvamos a Deus. Mercê de SUA bondade amamos a vida e verbalizamos as coisas belas com que ela nos brinda. Dos céus admiramos a beleza dos astros, das noites estrelares de nossa fé, e de nossos amores.
Paz Plena!
Ozâmpin.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Aprendizado


Em atenção às solicitações de vários participantes do nosso “blog” vamos tratar, desta feita, de um tema meramente didático, não muito conveniente para um “blog”. Noblesse oblige: vamos em frente!
Trata-se de Kabbalah Prática, o que se entende por essa denominação? Deveras é bom considerar que Kabbalah Prática é uma coisa e prática de Kabbalah é outra coisa. Kabbalah Prática segundo Arieh Kaplan, um dos maiores eruditos comentadores e exegetas de textos cabalísticos, Kabbalah Prática são exercícios de Meditação. Agora, diremos Kabbalah Prática, uma vez conhecido esse conceito, é uma parte do conteúdo mesmo das matérias cabalísticas, enquanto que a prática da Kabbalah é a aplicação desses princípios na vida corrente e ordinária de nosso dia a dia. Recentemente um precioso livro de Helvécio de Resende Urbano Junior 33º (Ali A’l Khan) lançado pela editora Madras, vem colocar muito bem os pontos nos “is”, e é bastante esclarecedor quando o eminente autor define o seu propósito ao dar o seguinte título à sua obra, aliás, uma das melhores surgida recentemente: MANUAL MÁGICO DE KABBALAH PRÁTICA – Madras, São Paulo: 2011, abordando temas que tais: - Cabala, Esoterismo, Magia, Ocultismo.
Aconselho a todos que quiserem começar a discernir do que se trata, não só a leitura, antes até, o estudo mais aprofundado desta obra, não tanto pela temática, mas, pela qualidade dos comentários que traz à luz, quando tudo fica claro e dirimido.
Há um certo preconceito editorial no sentido de não se valorizar autores nacionais em se tratando de esoterismo, porém, este livro deita por terra todo esse preconceito colonial, já que tem de sobras qualificações notórias que retratam conhecimentos dignos de serem transmitidos, pela abrangência de temas e por seus valorizados critérios pertinentes. Revelando a profundidade do saber e do cabedal de informações de que o autor dispõe na explanação de seus propósitos.
O valor não tem nacionalidade, o que vale é a pesquisa de cada ser humano, e de seu afã de expandir sua consciência para realizar o contato com os “Mundos Superiores”. Essa busca individual de se conectarem com a “Consciência Inata”, é dever e afã de serem o que devem ser, e ou do que vieram fazer em suas encarnações, já que ninguém encarna para passear neste planeta.
Dessarte, parabéns à editora Madras pela edição dessa prestimosa obra, marco da cultura espiritualista e esotérica no país.
A propósito, cabe-nos citar a epígrafe que o autor colocou no capítulo III de sua obra, intitulado de Angelologia Pantacular: - “quando o homem adquire a capacidade de comungar com a inteligência infinita e, por consequência, é iluminado pelo influxo da sabedoria, passa a ter condições e aplicar essa sabedoria ao reino terreno, onde ele existe como emissário de D – Us”. (Ali A’l Khan).
A epígrafe define e demonstra o que lhe move, mérito louvado!
Também na Invocação que faz à página 5: - “O homem é a chave de todos os enigmas e de toda verdade”. Esse, um ensinamento da concepção antropocêntrica da Kabbalah.

Paz Plena!
Ozampin.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Caridade e solidariedade


Você e o outro.

Amai ao próximo como deveis vos amar.

Em decorrência de nossa mais recente postagem, “confrontos e conflitos”, recebemos de nossos leitores e companheiros, reflexões mui curiosas e procedentes, entre as quais a preocupação com a caridade e a solidariedade, e da compatibilidade entre elas.
Para o modo de pensar analítico que não leva em conta a interação de características, já que é dual e não polar, e, portanto bem diferente do pensar analógico, elas não se interagem. Para o pensar analógico caridade e solidariedade são complementares, já que em toda caridade há solidariedade, e a recíproca é verdadeira. Ainda que possa ocorrer com a solidariedade algum desvio, há nela muito de caridade. Se a solidariedade às vezes aparece envolvida com alguma influência da vida material e, como tal ou por isso mesmo, deixa-se contaminar por vibrações mais interesseiras de vaidades e poderes, a caridade é puramente da ação, por ser espiritual. A solidariedade é não raro uma participação condicionada por certos interesses, posto que se trata de mera ação psíquica, função da mente concreta, hodiana, prática e imediata. 
Só na espiritualidade a dação é plena, na vida social a competitividade macula as intenções no interesse da sobrevivência, do ganho e do poder, quanto mais numa sociedade de consumo, quando então perde um pouco da sua autenticidade e pureza. É ai que se dá o que chamamos de segundas intenções. Mesmo que se possa justificá-las, interferem na espontaneidade da ação. Mas, senão são a mesma coisa, são, no entanto, complementares. 
A caridade é da alma, a solidariedade é um aprendizado da humanidade através da história. Viver é um eterno aprender. Na observância da mecânica da Árvore Sefirótica vamos aprender que oposições não são contrários absolutos. Assim é que geburah restringe e limita a força de expansão de hesed, mas lhe dá forma. O mesmo ocorre com nezah (criatividade) e hod. É hod que formula as ideias de nezad, para que yesod possa filtrá-las ao passá-las para malkhut, a esfera das formas finais, a revelarem a manifestação, dando o aspecto definitivo a tudo que existe neste mundo. A grande lição da ÁRVORE é que o sefirot são pares complementares e que não se deve nem se pode compreendê-los como antagônicos, e sim com a reciprocidade que os faz interagirem-se. Daí a dialética cabalística ser tão orgânica e natural.
É pela ÁRVORE também que se explica nesta numerologia a imanência dos feitos e fatos, já que números são funções cósmicas e evidenciadas pelas letras do aleph – Beit. As consoantes hebraicas e numéricas é que vão servir para a determinação de conceitos, arquétipos e ocorrências, a que se propõe a numerologia.
Diz o ZOHAR um dos textos fundamentais da Kabbalah: “pois, quando o mundo foi criado, foram as letras celestiais que deram início a todos os mecanismos do mundo inferior, literalmente segundo o seu padrão”.
E o grande cabalista, um dos fundadores da corrente dos hassidins, BAAL SHEM TOV, assim se expressou sobre os mistérios do aleph- Beit: “entre em cada letra com toda sua força, Deus habita cada letra e, ao entrar, você se une a Deus”. E o profeta Isaías aconselhava: “Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal (uma letra) pede-o ou embaixo nas profundezas, ou em cima nas alturas”. (IS. 7: 11)
Cumpre-nos repetir o que temos sempre afirmado: - se a Kabbalah é o caminho, a Árvore das Vidas é o mapa.
Em tomando, com efeito, a caridade como propósito da alma, ela revela um manifestação de amor e comiseração enquanto a solidariedade é tão só uma postura de aprendizado do homem. Aprender a viver é por os ensinamentos em prática, o que é útil, sábio, e proveitoso. E se não nos move o amor, ao menos nos movera respeitar a dignidade do outro, que é o que tem faltado nas relações humanas. Tomara que consigamos mudar este comportamento. Isto é o quê a solidariedade nos enseja. E queira a Deus sejamos bem sucedidos nesta intrépida audácia!

Paz plena
Ozam.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Encontros e confrontos


A História infelizmente registra que quase sempre encontros tornaram-se logo em confrontos, isso no diz respeito sobretudo as culturas e, ou as ideias. Na Arvore Sefirótica aprendemos, no entanto, que encontros podem e devem tornar-se oportunidades para mudanças positivas e transformações auspiciosas no sentido de partilha, ou de interações recíprocas. Por quê? Talvez tenha faltado nesses encontros que viraram confrontos, tanto a compaixão quanto a benevolência, sem as quais não se pode aproveitar a força e o enriquecimento enrustidos nesses encontros. 
Na Árvore observamos que a não – séfira DAAT, resultante de vetores de força de HOCHMAH (sabedoria, ABA) e de BINAH (entendimento, IMA) significa, Conhecimento, Paz e Filho, enquanto que tudo se dá na coluna intermediária do equilíbrio, ou da Fundição que é também, e por isso mesmo, tida como das Graças e da Clemência. Qualquer outra adjetivação torna-se pleosnática e inócua, pois Graça e Clemência dão a esta coluna a sua verdadeira significação. No triângulo d’Alma é Tiferet o lugar da conciliação dos eflúvios de Hesed com as de Geburah, daí ser denominado de Harmonia e Beleza. 
O Hieróglifo da Árvore, que é um grifo hierático explica melhor que tudo como funciona a compaixão e como sua força está para transformar todo encontro em comunhão, interação e participação como devêramos assim agir na vida. Partilha e interação são somas, adição, complementariedades, que só se pode obter pela benevolência e pelo amor, sem ego. No drama histórico não observamos senão egoísmos, malevolência, e nenhum traço por mais insignificante fora de compaixão. Tanto no que se refere a encontros culturais quanta à troca de costumes, hábitos, e de valores intelectuais, todos em geral exacerbados por orgulhos e vaidades, que nada valem, mas, que são, mesmo assim, portadores dos venenos da malevolência, do egoísmo e da esterilidade particularíssima e idiossincrásica de valores egóicos e individualizados .
A kabbalah que é o mais importante acervo da Sabedoria do Ocidente sempre soube assimilar a experiência de outras culturas e se enriqueceu nas diásporas do judaísmo.
Nilton Bonder em sua obra “Segundas Intenções” reconhece este ensinamento e cita: “Quando uma pessoa pensa em fazer algo perverso não deve ser imputada a essa pessoa a intenção até que o faça. Mas, se deseja fazer algo gentil, e por alguma razão acaba não realizando, deve-se considerar como se estivesse feito. (Salmos 30, & 4 , In: BONDER, p.61). E logo adiante, adverte: “ Toda vez que nas relações humanas houver assimetria, a malícia nos preencherá de segundas intenções. Essas assimetrias nos levam a convocar a justiça, que é um nível ainda mais profundo de manifestação de segundas intenções”.
Estados modernos, esses Leviatãs do Absurdo, são cheios de segundas intenções. E perdem oportunidades de se tornarem mais ricos com o que poderiam vir a conhecer a própria experiência desses outros povos de culturas tão distintas com que se encontram e se conflitam.
Em recente obra já encontrada no mercado, o mestre espiritual e líder político, Sua Santidade Dalai Lama, faz judiciosas observações da “Prática da Benevolência e da Compaixão”. Aconselho que leiam. O mestre em apreço dispensa apresentações, mas, seus enfoques são de uma importância para tomarmos posição a respeito do tema. Um tema importante que vai desde nossos primeiros contatos com o diferente até escândalos dos pré-conceitos e das exclusões, plenas de segundas intenções: o petróleo. Em nossa experiência existencial temos de avaliar que nossas pequenas atitudes de pura vaidade e soberba, podem tornar-se o combustível moral que justifica, por falta de compaixão, os desvarios políticos dos impérios que nos subjugam. Diz Bonder: “Essas assimetrias (de que falamos na citação acima) nos levam a convocar a justiça que é um nível ainda mais profundo de manipulação de segundas intenções. Novamente teremos que identificar o invisível para desmascarar o impulso moral. O Eu tratará de convocar seus amigos a ouvir suas razões. E eles serão muitos, porque, o território das segundas intenções é cheio de justificativas”. (p.61)
“O erro dos Estados é resultante óbvia da malevolência acumulada de seus cidadãos. Não se conhece história de Impérios em que seus cidadãos não fossem o que foram”.
As intenções são manipulações que demonstram os ardis do Ego, quer seja ego pessoal, quer seja nacional. Ego é sempre ardiloso. Quer seja pessoal, quer seja nacional tem de ser contido e alinhado. Tão forte que não se deve senão encaminhá-lo e retificá-lo.

Paz Plena !

Ozampin

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Aprendizado


“As folhas mortas são como as Árvores retribuem ao vento que passa; na Natureza tudo é compartilhado”.

A Natureza ambiental tanto quanto a nossa, a nossa fisicalidade, é como faz a Providência Divina em nos protegendo, para que assim sejamos pacientes com as ocorrências de fraquezas que se nos acontecem com as idades avançadas. A paciência é uma virtude que temos de desenvolver, pois é própria para suportarmos o peso de nossa ignorância... Se ocorrerem antes enfermidades peculiares à idade – mercê do desgaste do material, convém que compreendamos tratar-se, ainda, da mesma proteção. Como assim? Ora, tudo se dá porque são preparações de como a psique (que é também consciência) vai nos condicionando para a morte. Temos a pretensão de querer ignorar a a morte. Quem ignora não sabe viver. Começamos a morrer desde o nascimento. A vida em si é um aprendizado e uma oportunidade para a alma; então a fraqueza e as doenças típicas que se dão com o cansaço do físico e a perda da vitalidade, são apenas preparação para que a consciência não sofra com a grande mutação de dimensão que ela vai experimentar na passagem.
A perda do corpo, o qual foi receptáculo para a alma, que é um estado da consciência, é antecedida por essa experiência: o propósito é poupá-la do choque maior que pode acontecer quando partir para outra dimensão sem o corpo. Essa separação que é a entrada dalma na dimensão da imortalidade sem o seu suporte físico quer a providência (que) seja suave e sem traumas.
Portanto, toda aflição que nos acomete com as doenças próprias da idade são, tão só, favores da Providência, já que não se morre, mas, se renasce, como se deu na encarnação, para uma nova Vida, sem a materialidade, desta feita. A preparação é, portanto, benefício e generosidade. É mister saber aceitar esta preparação com paciência, gratidão e alegria por tanta generosidade; nem sempre fazemos justiça a essa, experiência, mas, queiramos ou não, são benesses.
A Providência é plena de misericórdia que nem sempre podemos entender ignorantes que somos!... Graças a tanta bondade suportaremos a grande passagem sem que a alma sofra além de suas potencialidades. A perda da vida física pode desse jeito não ser trauma maior que supõe nossa inteligência linear.
Entrar na imortalidade é dádiva, entrar felizes e agradecidos é humildade. O destino é bem mais amplo que a encarnação, essa, apenas uma oportunidade, que nos depara. Assim, viver com alegria é morrer sorrindo...
Lembra-me o meu avô, um homem de fé, que pedia a Nossa Senhora que lhe permitisse partir dormindo para que não sofresse. E foi o que aconteceu, felizmente para a sua alma. Louvada sede, Mãe Amantíssima!
A alegria vida afora é tão só agradecimento pela encarnação. Despedir-se dessa com a mesma alegria do desfrute com que fomos brindados é Sabedoria. Oxalá, nós e familiares saibamos agradecer. Oh! Providência Divina, abençoada sede vós que nos amparastes!

PAZ PLENA.
Ozampin

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Novos Horizontes


Entre os dias 17 e 20 do corrente mês de agosto iniciamos um curso de Numerologia Kabbalística em Curitiba. Na oportunidade, coube-nos congratularmos com o comparecimento de um bom número de interessados pelo assunto. Ocorreu nesse ínterim histórico um fenômeno deveras curioso já assinalado por vários autores ligados à observância dos processos culturais que deságuam em nossos dias. Alguns cabalísticos, entre eles o eminente Ravi Michael Laitman já tantas vezes citados por nós, anotaram esse interesse e essa busca de esclarecimento espiritual em plena época de efervescência tecnológica.
O Rabino Joseph Saltoun em sua obra: “Árvore da vida, a arte de viver segundo a Cabala”, ressalta, com propriedade que lhe é própria:
“Existe um guia divino que nos protege, mas existem também duas forças negativas que não querem que o homem saia do mundo da escuridão _ essas forças negativas são os “anjos caídos”. O Zohar nos fala sobre um povo chamado NEFILIM, também citado na Bíblia, que na verdade não é o nome de um povo, mas, um nome que simboliza os descendentes desses anjos que caíram na escuridão e entraram na mente das pessoas. Atualmente não são apenas dois anjos. Os Nefilim procriaram com as filhas dos homens e dessa união surgiram criaturas que não eram humanas no sentido puro, possuíam o corpo humano, mas, tinham a consciência influenciada pelos anjos negativos. Esse é um processo que começou na época da Bíblia e está ocorrendo até hoje. E quanto mais se reproduzem, maior é o número de nefilim sobre a Terra.” (p.56 da referida obra).
O fato é que boa parte desta geração parece começar a optar entre os 99% de luz que nos cerca, contra o 1% de escuridão em que nos mergulhamos. Apenas através de algumas frestas de penumbra que o Esoterismo (com s) enseja é que podemos perceber uma saída, dessarte a Kabbala, com seu tradicionamento de Sabedoria Espiritual com que o Futuro (o Mundo Vindouro) manifestava em outras gerações, começa a ser de novo o caminho mais objetivo.
Diz o mestre Michael Laitman às páginas 23, 24 e 25 de sua obra A Revelação da Cabala (Imago, Rio de Janeiro):
A Cabala entra em cena.
“A Cabala fez a sua estreia de 5000 anos na Mesopotâmia, numa antiga região que se localiza atualmente no Iraque. A Mesopotâmia não é apenas a terra natal da Cabala, mas, de misticismos e de todos os ensinamentos antigos. Naqueles dias, as pessoas acreditavam em diversos ensinamentos diferentes, na sua maioria seguindo mais de um ensinamento por vez. A astrologia, a previsão do futuro, a numerologia, a mágica, a feitiçaria, os encantos, o mau-olhado. Tudo isso floresceu na Mesopotâmia, o centro da cultura do mundo antigo”.
Vale a pena ler o que o autor esclarece pelas páginas 24 e 25 em diante, mas, dado a limitação de nosso espaço cumpre-nos apenas a indicação da obra citada. No entanto à página 27 ocorre-nos outro parágrafo do qual não podemos reprimir a vontade de reproduzi-lo, graças ao seu efeito esclarecedor para tornar o nosso propósito mais explicito:
“De acordo com a sabedoria da Cabala, esta colisão de culturas e o ressurgimento de crenças místicas que eram abundantes na antiga Mesopotâmia marcam o início da reunião da humanidade em uma nova civilização. Hoje, estamos começando a compreender que somos todos conectados e que precisamos reconstruir o estado que existia antes da fragmentação. Ao reconstruirmos uma humanidade unida, nós iremos também reconstruir o estado que existiu antes da fragmentação. Ao reconstruirmos uma humanidade unida nós iremos também reconstruir nossa conexão com a natureza, com o Criador”.
Sem dúvida, o Criador nos ajuda a reconstruir esta conexão mercê de sua imensa bondade por nós. E o que devemos fazer? _ Seguir esta tendência. Tendência que cada vez é mais flagrante nesta geração, alvíceras! A luz que retorna as nossas retinas obscurecidas pelo racionalismo reducionista do Iluminismo que envolve a cultura hodierna vigente.
À página 33 o autor faz de novo resumo do capítulo que julgamos relevante citar:
“Hoje quando um número crescente de pessoas está convencido de que a religião e a ciência não provêm às respostas às questões mais profundas da vida, elas estão começando a procurar em outra parte por respostas. Este é o tempo pelo qual a Cabala esperou, e é por isso que ela esta ressurgindo para prover a resposta ao propósito da existência”.
Em corroborando a nossa pretensa afirmação de que as forças imanentes do Bem triunfam finalmente, como dizia o nosso filósofo, Tobias Barreto, retornamos a obra do rabino Josefh Saltoun, da qual selecionamos alguns conselhos positivos:
“Hoje, a nossa geração de acordo com a Cabala é chamada de “a última geração” (The Last Generation). O que significa a última geração? Por que as gerações precisam chegar ao fim? Seria este o fim do mundo? “Existem profecias apocalípticas sobre isto, sobre a destruição do mundo, mas, a Cabala não as aceita, da maneira que são apresentadas”. De acordo com a Cabala, o fim do mundo não é o fim do mundo físico, mas, o fim de uma concepção limitada do mundo físico que existe na mente de cada pessoa, desse modo o fim é na mente e não no mundo físico”. ( diz o autor à página 28)
Não devemos ficar presos a breves citações. Por que não ler o testemunho importante que o livro nos traz? Peça-o ao seu livreiro. Nesta obra o leitor é convidado a entender conceitos básicos da Cabala, que é uma metodologia.
Ora, se para nós a KBL é antes de tudo uma metodologia, a Numerologia é também uma metodologia, e formam entre si um método perfeito e apurado para verificar os desígnios superiores de nossas almas. É essa concepção que nos move no estudo da Numerologia Cabalística que ao contrário de outras, apresenta uma proposta orgânica do que venha a ser Numerologia, como um sistema prático. A decorrência lógica natural das funções numéricas origina-se da Árvore das Vidas, um anagrama que por si só esclarece o processo de CRIAÇÃO, quando, então, os números são funções cósmicas. Nada nesta numerologia cabalística é abstrato ou aleatório. Tudo é decorrente da própria significação do valor numérico das sefírotes e das letras do alfabeto hebraico.
As metodologias quando se conectam, ajustam-se e o resultado pode vir a ser uma rigorosa concepção de métodos. É o caso da numerologia cabalística. Severidade e rigor reportam-se a Geburah. Mas é sempre indicado compreendê-los sob os reflexos da Generosidade e Amor de Hesed, a produzirem a Beleza e Harmonia de Tiferet.

PAZ PLENA,

Ozampin.