DEUS E O COMPASSO. Nesta pintura de William Blake, Deus utiliza um compasso para tornar real o desenho criativo.
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quinta-feira, 9 de junho de 2011

SABER VIVER (PARTE II)

Saber viver é tão somente Kabbalah aplicada (geralmente, dizemos Kabbalah prática, mas é mais uma prática de Kabbalah, que não é a mesma coisa que Kabbalah Prática)

Hilel, de profundos ensinamentos, dizia:
Se eu não for por mim, quem será por mim? Mas se for só por mim, o que sou eu? E se não agora, quando?

Nesse seu pensamento, algo paradoxal, Hilel ensina-nos a Ser, para saber viver. A um tempo ele aborda aspectos da holo-práxis tanto quanto aspectos da ontologia.

Se eu não for por mim, responde àquele ensinamento do MIDRASH que diz que cada homem deve saber que possui em si mesmo um valor incalculável e tem de crer que para ele o mundo tem sido criado; portanto, recai sobre ele a responsabilidade da realização de um mundo melhor. Como co-criadores são sérias as responsabilidades, não é mesmo?

Sob aspecto ontológico revela aquela absoluta ligação do Si-mesmo (o Ser em nós) como o SI-MESMO, o CRIADOR. E, consequentemente, a observância dos mandamentos nada mais é senão o cumprimento dessa interação da qual, como partícipes, devemos cumpri-la com amor. Dever do coração sábio e da gratidão pela importância que nos foi outorgada.

Quem será por mim? Evidencia outra verdade existencial. Como não estamos sós e somos todos como um, nessa unicidade metafísica, todos somos um por Um. Amai ao próximo como a vós mesmos. Somos um em Um, pois deveras só existe Um, Echad.

Mas, se eu for só por mim, o que sou eu? Nada. Em sendo todos em um, somos todos um. Nada senão a imagem que temos todos de torná-la a semelhança do Um.

E se não for agora,quando? Tem de ser agora, nesta VIDA. Diz o Levítico (19:32): Diante dos cabelos brancos te levantarás. Cuide bem de seus dias antes que a velhice se lhe acometa, quando pode não ser mais tempo... Ou, cuide dessa sua vida, por que é esta a sua oportunidade de Ser: Pois é a tua vida e a duração de teus dias. (Deut 30:20) E escolherás a vida. (30:19) É o tempo de contar seus dias ! É o que exige um coração sábio.

Explica-nos Aryel Kaplan em comentando certo parágrafo do Bahir, o Livro da Iluminação. O Coração, origem de toda elevação espiritual, a qual devemos perseguir no saber-ser, é o rei da Alma... Os Trinta e Dois Caminhos, de que nos fala a Kabbalah, existem no Coração.

Esses Trinta e Dois Caminhos que se referem ao Coração, indicam Binah-Compreensão, e constituem a trilha que temos de perseguir nas vidas. Os Trinta e Dois Caminhos que se reportam às trinta e duas vezes que o nome de Elohim aparece no primeiro capítulo do Gênese, ainda corresponde à Binah, e explica o Bahir, é com eles que o mundo foi criado.


E se não for agora, quando? Senão nessas vidas que nos foram dadas, quando haveremos de interagir com o Criador?
VIVER É UM DOM DE D’US ! Saber viver é gratidão !




CONVITE

SABER SER PARA PODER SABER VIVER

Será o tema da Palestra que iremos proferir em 12 de julho deste ano, terça-feira às 19:00, na Livraria Catarinense do Beiramar Shopoing, Florianópolis, SC.
Sua presença é motivo de honra e júbilo.

Ozâmpin

segunda-feira, 6 de junho de 2011

SABER VIVER

A ingratidão é o primeiro sinal de indiferença. Quem não sabe agradecer já se empobreceu em algum ponto da psique. Elie Wiesel.

Saber viver é agradecer ao Eterno pela vida que nos foi dada.

De Moisés recolhemos: Ensina-nos a contar nossos dias, para que venhamos a ter um coração sábio. Saber viver é viver conforme os ditames de nosso coração. E ter um coração sábio é uma construção. O coração está em nós. Aprender de sua sabedoria é ouvi-lo. É auscutá-lo. É perceber de como nos ensina a contar os nossos dias. Cada dia tem o seu poder. Prestar atenção às lições que os dias nos transmitem é valorizar a vida. Tanto as vidas, quanto o tempo, e, portanto, a alma que palpita em nossos corações, surgem de Binah, a séfira da Compreensão que nos revela as 50 portas da Existência.
Binah

Binah também é Teshurá, retorno e remorso. Se a existência se abre em Binah, por que o retorno? É para que se saiba que se as vidas têm ali o seu começo; o seu destino é o retorno. Retorno ao Eterno. Portanto é mister estar atento a esse significado: o tempo de se viver é tão só um interregno da Eternidade. Como dizia Deut. 30:20: - Pois é a tua vida e a duração de teus dias. E pondera o Bahir, o Livro da Iluminação, dos sábios tanaítas: - Quem quiser ser merecedor... deve aceitar o jugo dos mandamentos... deve aceitar tudo com amor.

Ensina-nos o Eclesiastes (1:4) Mas a terra existe para sempre. Porém o próprio Eclesiastes nos adverte: (12:6) O pó retorna à terra como era, mas o espírito retorna a Deus, que o deu.

A Kabbalah não é um ensinamento de um único homem, por mais dotado e genial possa ter sido, é um repositório de toda a sabedoria humana vivenciada através de milhares de anos, história afora.

Dir-se-ia que é a saga da alma humana... na sua experiência temporal de vidas. Por isso, o tempo, inseparável de sua saga, merece toda nossa atenção. Se na eternidade não há nem tempo nem espaço, nessa nossa dimensão parece que viemos para entendê-los e esgotá-los. Por isso o Deut. 30:19 explica-nos: E escolherás a vida. E completa (70:20) Pois é a tua vida e a duração de teus dias. Para ser merecedor dessa vida é preciso, para não desperdiçá-la, contar nossos dias !

Saber viver é contar nossos dias ! Quando sabemos que Justo és, ó Deus, e Teu julgamento é justo (Salmos 119:137).


A PROPÓSITO:

Temos o prazer de convidar amigos, consulentes e alunos a participarem de nossa palestra sobre esse tema: SABER SER PARA PODER SABER VIVER, dia 12 de julho próximo vindouro, terça-feira, às 19:00, na Livraria Catarinense do Beiramar Shopping Florianópolis.