DEUS E O COMPASSO. Nesta pintura de William Blake, Deus utiliza um compasso para tornar real o desenho criativo.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

A busca


Numa de suas mais recentes obras, o Rav Michael Laitman, com sua linguagem simples e na sua habitual capacidade de tornar fácil e compreensivo temas herméticos, traz à luz uma das preocupações daquilo que chamamos de Kabbalah Antropocêntrica, ou seja, o método cabalístico que ensina a humanidade a fazer a semelhança com o divino, já que ela é a imagem, conforme diz o Gênese: “Façamos o homem à nossa imagem e (faça ele) a semelhança". Sim, fazer a semelhança é o desejo humano de (depois de recebido) doar (ter a intenção de), doar ao Criador, isto é, diz o autor: “A construção da intenção sobre cada desejo que sentimos é o que nos faz conscientes de quem somos, de quem o Criador é, e de se queremos ou não ser como Ele – altruísta – mas mostra-nos quem somos, quem Ele é, e nos dá a oportunidade de fazer nossa livre escolha, nos tornamos as pessoas que pretendemos ser: semelhantes ao Criador, ou não. (p.86, obra: A Revelação da Cabala).
Se tomarmos a Árvore Sefirótica para entendermos este caminho que especifica a intenção de se elevar à origem da luz que é Keter, quando ela se reflete em Malchut, a séfira da matéria no plano assiático, compreendemos que Malchut é o receptor e que a luz que recebe por doações deve retornar aos triângulos superiores que, graficamente, se referem aos mundos supernos. Se Malchut é grande vaso (Kli) que desejou e recebeu a luz, cabe-lhe devolvê-la e tornar-se também doador.
Esta é a mecânica da Árvore, em resumo, a dialética que deve orientar o nosso desejo de doar, (altruísmo) como fez o Criador (Kadosh Baruch Hu). A um tempo explica a ética cabalista: é Devekut, ou seja, a interação com a divindade, como um dos fundamentos dessa corrente da Cabala que situa a intenção do desejo humano e esclarece esse fato como centro e objetivo do nosso comportamento.
Diz o autor: “Onde há um caminho havia um desejo”. E ensina: no primeiro capítulo, dissemos que o conceito de Kli (vaso) e Ohr (luz) é inquestionavelmente o conceito mais importante na sabedoria da Cabala. Na verdade, entre Kli e Ohr, o primeiro é o mais importante para nós, por mais que o verdadeiro objetivo seja obter o segundo.  E acrescenta linhas abaixo (pgs:86-87).
Falando cabalisticamente, é necessário um Kli interno para detectar um objeto externo. De fato os Kelim (plural de Kli) não apenas detectam a realidade exterior, eles a criam. (...)
Não existe um mundo exterior, nem coisas tais. Existem desejos, Kelim que criam o mundo exterior de acordo com suas próprias formas. Fora de nós, há apenas a Forma Abstrata, o Criador imperceptível, intangível. Nós damos forma ao nosso mundo, dando forma às nossas próprias ferramentas de percepção, aos nossos próprios Kelim. (...)
Quando corrigirmos nossos Kelim e fizermos com que eles se tornem belos, o mundo será belo também.
E completa seu ensinamento com estas palavras: “O Tikun (correção) é interior, e assim também é o Criador”. Ele é o nosso “eu” corrigido.
Citar trechos fora do contexto da obra não é boa prática, mas, quando se trata de trechos de Rav Laitman, pode-se fazê-lo com extrema facilidade, já que o contexto da obra é como uma túnica inconsútil.
A preocupação desta intenção se cinge à compreensão do que chamamos: O Pensamento da Criação, o plano mestre do Criador. Eia, pois, companheiros, esta obra do Rav Laitman é, deveras, Um Guia da Pessoa Comum para uma vida mais tranqüila, e deveras, uma Revelação.
Como a Cabala é antes de tudo uma holopráxis aproveite, leia, pratique E creia como diz o autor: “Um Kli corrigido é um desejo utilizado com intenções altruístas”. Então o ÚNICO PROBLEMA É MUDAR AS INTENÇÕES COM AS QUAIS USAMOS NOSSOS DESEJOS.

Paz Plena

Ozampin




segunda-feira, 7 de maio de 2012

Religião e Espiritualidade.


O que é o espiritualismo? – Um ledo engano.

Hoje em dia não se sabe por que, se por ignorância ou por mero modismo, ou se por exibicionismo puro, ou se por falta de comprometimento com seu credo, quando se pergunta (para efeito de cadastramento) a uma pessoa qual a sua religião recebemos de súbito essa resposta estapafúrdia: - Espiritualista.
O que quer dizer isso? Espiritualismo não é religião. E religião ou se tem ou não se tem. Não se trata apenas de questão de semântica ou de falta de conhecimento do léxico da língua portuguesa. Não. É simplesmente falta de convicção, de certeza e, literalmente, de má fé.
Todos nós humanos encarnados somos antes de tudo espírito. Diziam os egípcios há 18 mil anos atrás que o espírito precisa do físico para se manifestar. São Paulo enfatizaria esse conceito ao afirmar que não há alma sem corpo nem corpo sem alma. Não se esquecendo que para o conceito do Apóstolo era de NEFESH para todos os seres vivos e de NESHAMAH para os humanos; ou de RUACH no sentido mais abrangente: espirito. Todas essas denominações foram traduzidas para o grego como psique e para o latim como anima. Que pobreza! É o que ocorre quando se traduz do hebraico para essas línguas meramente conceituais. Para a Cabala e para o judaísmo a alma em suas rotações cíclicas é Ruach, Neshamah e Nefesh. Daí essa confusão de se acreditar que só os homens têm alma. É logico que com as significações de Ruach (espirito), Neshamah (alma humana) e Nefesh (vitalidade), ou seja, alma animal e/ou vegetal.
Espiritualismo é uma tendência ideológica indicada na própria palavra por este genérico e perturbador sufixo de ismo, que nada acrescenta, mas que pega incautos e desprevenidos pelo pé. Ocorre-nos o que os mestres e estudiosos da concepção holística em no-la explicando, por exemplo, diriam que o termo holismo é uma excrecência, pois holismo é justamente aquilo que não é holístico. Parodiando-os poder-se-ia dizer que espiritualismo é mera ideologia reducionista e limitativa, portanto, exclusivista daquilo que se concebe como a busca pelo espírito. Muito ao contrário a religião que tem suas raízes no radical latino religare a significar que liga o mundo físico ao mundo do espírito. Isto além de ser religião, é também o sentido da espiritualidade, um estado de consciência expandida. Portanto é a religiosidade e não esse esdrúxulo espiritualismo que explica a real intensão dos buscadores de estados superiores da consciência. Se a pessoa em pauta não acredita em religião, mas em Deus, basta dizer-se teísta. Enquanto que espiritualista não é necessariamente aquele que não tem religião já que toda pessoa religiosa busca a espiritualidade por ser esse tal de espiritualismo apenas uma ideologia equivocada de quem quer um caminho espiritual só para si, historicamente bem diferente de toda a humanidade que sempre pautou-se pela religião na busca de Deus.
Apesar das indiossincrasias e peculiaridades das religiões, conturbações naturais inerentes à busca, Religião é que faz a ligação entre o mundo da matéria e do espirito. Religiosidade é sentimento de humildade e de contrição que faz de quem a pratica um buscador verdadeiro e autêntico apesar da diversidade de cultos, ritos, e celebrações de cada uma. Ora, se não convém a uns, convém a outros. Essa é a história humana, às vezes perturbada por egoístas que pretendem serem os únicos escolhidos por Deus. Não cabe a um homem sozinho a busca por Deus, mas sim por toda a humanidade. Por quê? Porque é Deus que busca pelos homens, pela humanidade. Não por um homem sozinho, mas por todos nós, sim, porque somos todos um em UM.
É mera pretensão de cada personalidade ter por si só descoberto um caminho distinto diverso e particular para crescer. Quando chegamos a esse mundo a estrada já está pronta, o caminho somos nós que o fazemos mas, se a estrada já estava pronta, é para que todos nós a trilhemos em conjunto.
A Cabala ensina, por exemplo, que o mandamento único é: - Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Aquele que pensa que descobriu um caminho exclusivo é um reducionista crasso, o que é bem típico de um iluminista bem comum da cultura moderna. Mero egoísta típico iluminista que não crê em nada a não ser em si mesmo.
Shemá Israel Adonai é Nosso Deus. Adonai é Um.
Não importa a sua religião. Adonai é Um. Portanto não se envergonhe de sua peregrinação. A alma coletiva (Ruach), o espírito é só um.
Quando você tiver vergonha da religião de seus pais, de seus irmãos, desses pobres filhos de Deus que somos todos, declare-se ateu ou teísta, mas nunca espiritualista que nada significa. Esse espiritualismo é tão só uma ideologia de uma envergonhada e canhestra espiritualidade que não é espiritualidade e nada é.
Acaso, só você é que sabe marchar e está de passo certo, num batalhão que tem a coragem de se mostrar? E que tem um comprometimento maior com a verdade?
Humildade e água benta não faz mal a ninguém nem a si mesmo.
Paz Plena aos homens simples de boa vontade. Somos todos Um em Um. Adonai é nosso Deus. Adonai é Um. 
Louvado Seja!


Ozampin           

sábado, 21 de abril de 2012

A Letra CHET (Respeito, Temor, ASSOMBRO)

Na excelente obra de Jean-Yves Leloup - Deserto Desertos; 2ª edição, Ed. Vozes, entre poemas lapidares e certas considerações notórias escolhemos sem pretensões de qualidades estéticas os seguintes poemas, a seguir, que nos remetem à letra Chet que é justamente tão assombrosa como o deserto, o que nos leva a crer que sem vivenciá-la no seu trajeto de Tiferet a Daat, através do abismo, nada seremos ou “torna-se areia ou se petrifica”. Mas vejamos todo o poema para melhor compreendê-lo na comparação com a letra referida: 
                                                        No deserto
O homem não é
Ele deve ser
Vir á ser sem cessar
Não há parada possível
De hoje em diante
Ele deve inventar-se a cada passo
Seu desejo o salva,
Se parar
Torna-se areia ou se petrifica.

O homem não é um ser
Um pode ser.


Em outro poema que diz: 

Feliz os nômades e os peregrinos
Mantidos em estado de pergunta todo dia
Aproximam-se de seu nome de origem: Adão: O QUÊ ?
Eco do nome sagrado
DAQUELE QUE É SEM ORIGEM: I.H.V.H.



O autor, um místico, que se apresenta como teólogo cristão é uma das mais brilhantes figuras da espiritualidade de nossos dias. Todavia como se pode ver, seu pensamento é genuinamente cabalístico. Oferecemo-lo aos leitores para que possam bem observar que a beleza da espiritualidade, como vibração tiferética, é de toda a humanidade e de todos os credos, conquista que se obtém na permanente busca do I.H.V.H., daquele que é sem origem.

Paz Plena,
Ozâmpin

Testemunho

Uma de nossas companheiras estudiosas de Cabala envia-me esta carta, trago-a a público não por vaidade, mas por respeito e íntima compreensão do que tem sido esse nosso convívio auspicioso como buscadores que somos, todos os estudiosos de Cabala, do I.H.V.H., Louvado Seja, o qual nos acena e nos ampara com sua infinita misericórdia. 

domingo, 1 de abril de 2012

DESCORTINANDO NOVAS POSSIBILIDADES DE CRESCIMENTO NA PRÁTICA DA KABBALAH

- O que é ”crescer” em nosso jargão?

A Kabbalah é uma milenar tradição de sapiência espiritual. Dessarte, crescer na sua concepção significa atingir níveis superiores de consciência.
É preciso distinguir certas particularidades: - A Kabbalah não é autoajuda, ainda que alguns, dito cabalistas, encantados pelo “canto da sereia” do sucesso comercial dessa sub-literatura, mera programação da sociedade de consumo, permitem-se deixar tratar a Kabbalah como matéria similar. Deveras, tal simulação é execrável e não passa de pura manifestação egoica de caráter venal.

Para a Kabbalah, crescer revela um movimento ascensional do espírito humano capaz de possibilitar a “trans-cendência” que, em suma, constitui nosso único propósito. Na Árvore das Vidas, crescer é tido como o “caminho da Flecha”, isto é, o caminho que desde Malchut, passando por Yesod, visa Tiferet. Assim, o sucesso e ganhos materiais da literatura de autoajuda, dirigida a um público específico com pretensões de arrivismo mundano que nem de longe se assemelha aos desideratos do cabalista, para quem o aspecto mais importante de uma pessoa são suas aspirações, e não suas conquistas, porque o egoísmo é que exige conquistas, conforme nos ensina o Talmude.

Desprovido de quaisquer preocupações de sucesso mundano, o mister da Kabbalah é a evolução espiritual da alma, como tal.

E como somos apenas almas, toda nossa intenção é a de superar estágios da encarnação. Move-nos tão só o desejo de alcançar a plenitude da Luz já que estamos imersos em 1% de trevas densas cercadas por 99% de pura luz. Em que pese a percentagem, vitima-nos, também, a densidade da experiência material a que estamos submetidos em nossa aprendizagem. Contudo, mesmo assim, toda encarnação é sempre uma dádiva e esse aprendizado deve ser experenciado com alegria e prazer. Eia, pois, que o Criador dotou suas almas de alegria, desejo e prazer, consequentemente, a experiência do crescimento só pode mesmo ser alcançada, na prática, no usufruto e no conhecimento do que sejam alegrias, desejos e prazeres.

Ora, toda alegria se deve porque almas, ao receber a ventura da encarnação, devem sentir-se satisfeitas e agradecidas por cumprirem com os desígnios da Criação. A alma é uma entidade beriática vivendo no mundo yezirático. Daí a razão de seu Livre arbítrio; posto que não segue as leis do mundo beriático por participar do mundo yezirático, e como tal, também, livre das injunções das leis desse plano. Nada fez o Criador mais livre que a alma. Daí a sua alegria por ser livre! Deveras, não há mesmo como não agradecer a participação em um mundo maravilhoso com enorme riqueza natural, de belezas infinitas, de mil matizes de cores, de sons, de luzes; de sensações e de sabores. Como não se alegrar com a verdura da terra, a leveza do ar, as cores dos céus e a volúpia das águas?

Mas, quis a infinita generosidade do Kadosh Baruch Hú (O Sagrado Abençoado Seja – O Criador, em português) que além de toda essa alegria, fôssemos dotados de desejos, para que, em de tudo desejando, não nos esquecêramos de desejar de retornar ao Éden. Incutido nas almas o desejo haveriam elas de desejarem sempre de retornar ao Criador. E como gozosos seriam os passos do retorno! 
Dessarte, ao gosto e ao prazer das delícias efêmeras da matéria, sempre as almas ainda desejariam outros prazeres mais sutis como o dos mundos superiores!

No entanto, é aqui, nesta realidade da encarnação que temos de experimentar e de superar essas vivências de alegria, desejo e prazer, cujo desafio e mérito é conquistar alegrias, desejos e prazeres de estágios mais elevados de consciência.

A alegria de viver não é só de prazer pela natureza encantadora que nos envolve como manto acolhedor, mas é, antes, aprendizado de alegrias de superação. Se a matéria nos fosse hostil, que méritos haveria em superá-la? No entanto, se não houvesse alegria em viver, como poderia haver alegria maior nas expectativas de chegar-se a um outro plano e experimentar de uma bem maior e mais plena alegria?!

É a alegria e o prazer de viver que torna mais suscetível o nosso desejo de outros mundos mais gozosos. Só experenciando o bom poderemos desejar o ótimo!

Muito ao contrário de outras teorias vigentes, diz a Kabbalah que tudo que nos é dado é para o nosso bem e prazer. O que, acaso, possa nos parecer ruim é tão só a ocorrência que se dá para que o bem possa vir a ser melhor apreciado. O que muitas vezes torna a experiência do ruim negativa é a nossa ansiedade, ou a impaciência em suportá-la. O rabino Yeoshua ben Myriam, de abençoada memória, já nos ensinava: aprendei a sofrer e não sofrereis.

Pois bom e ruim são apenas faces de um mesmo aprendizado.

Como vemos, a prática de Kabbalah não é de sofrimentos, mas de compreensão e conhecimento.

Três transes: alegria, desejo e prazer.

Toda a alegria de viver, a alegria de estar aqui encarnado, usufruindo das vidas, é tão só a alegria de ser. Alegria oriunda do SER em nós. Alegria de agradecimentos por tudo que nos é dado. Temos só de receber e de dar o que de graça nos foi dado: Receber e dar é o mistério indelével da existência.
Saber discriminar o que recebemos, para que possamos dar é uma das virtudes de MALCHUT, a décima séfira. Aquela que, como IOD, que é, (IOD = 10), na Árvore das Vidas, empurra para cima o discriminado e para baixo o indesejável. 

O que vai para cima é todo o impulso para crescer.

Desejo de viver, de estar, e de ser livre para crescer, não só vegetativamente, mas com plena consciência e risco da liberdade. É crescer psiquicamente. É a certeza psíquica. É o que aprendemos em YESOD, séfira da consciência do corpo, cuja virtude é a da Independência.

Todo este processo que descrevemos é o psicológico que se dá em nós. É a rotação de RUACH.

Desejo de tudo abarcar e de estender-se é o que oferece-nos Nezah. A séfira do desprendimento e da firmeza. Criação. Repetição. Características de Nezah, os portais do mistério. Nezah representa os níveis de concretização da força na forma. Em Nezah instintos e emoções se encontram. Em Nezah tudo é plural.
Já desejo de tudo assimilar e de poder formular são funções de Hod, quando o plural de Nezah se torna individual. A virtude de Hod é a veracidade. Suas funções se manifestam pela Razão. Hod é a esfera dos desejos, propriamente ditos.

Ao alcançarmos Tiferet depara-se-nos as rotações propriamente concernentes à alma humana. É o nível de Neshamah que precisamos vivenciar, mas aqui, vão ocorrerem outros estágios bem distintos.

Este é o nível da TRANS-CENDÊNCIA.

A alma, na Árvore das Vidas, representa-se por um triângulo descendente (para influenciar a psique) com os sefírotes Gevurah-Tiferet-Chessed. Jung diria que este é o nível da individuação. Para nós, o estágio da Transcendência. Transcender é crescer com consciência.

Em Gevurah, em que se exercita o Livre arbítrio, é quando a alma se avalia. É nesta esfera da Severidade e do Rigor que é traçada a sina das Encarnações. É através do Livre arbítrio, emanado de Daat, que as escolhas de cada experiência encarnatória se projetam. Às vezes, depara-se-nos tantas e tantas criaturas vivenciando experiências atrozes, sob uma destinação rigorosa e implacável. O vulgo o atribui a “castigos de Deus”. Nada disso é verdade! O Divino não pune, não castiga, não interfere. Cabe sim a alma, no seu julgamento, em livre arbítrio, assinalar e assumir a sua missão em cada encarnação para despojar-se de seus carmas e, na realização de seu TIKUN, a fim de poder crescer e vencer suas dificuldades. Em hebraico pecar é simplesmente, errar o alvo. Até o melhor atirador soe errar o alvo. Em Geruvah, esfera da lei, e entre elas, a lei de retorno, processa-se o alinhamento que o Tikun exige. Se são rigorosas as cobranças e posturas do alinhamento, devêmo-las ao rigor de Geruvah. Mas, a alma, ciosa do antes e do depois, além do tempo, e assim, além do espaço, como unidade espiritual que é, não vê a severidade como castigo e, sim, como oportunidade evolutiva. Por isso, sua escolha, que mal podemos entender, é, no entanto, prenhe da Sabedoria Superior de Hochmah, e manifesta toda a compreensão de Binah. 

Tudo se dá por amor, jamais por penalização. O que às vezes possa parecer doloroso e, às vezes, cruel, para a inteligência da alma não é senão exercício de aprimoramento e reratificação. Há muita coisa que a mediocridade do Ego não é capaz de perceber ou de entender.

No lado oposto à severidade de Gevurah figura Chessed, a séfira da Generosidade, da Expansão, da Força, da Misericórdia, da Pureza, da Alegria, (simchá) e da criança interior. Tiferet, o Trono de Salomão, é que vai harmonizar os embates de forças da expansão e de forças da restrição com seu poder de concentração e de equilíbrio. Séfira da equidade que tudo ratifica e embeleza, representa a consciência Superior, ou seja, aquela tomada de consciência de que somos almas e, portanto, apenas Consciência, pronta para experimentar a satisfação de todos nossos desejos e aspirações espirituais de entrega, amor, doação plena e absoluta aos desideratos superiores. É nessa esfera de Eu Superior e do Eu Interior que a alma, ela própria assume a sua rotação de Neshamah e, é quando retorna às dimensões superiores de Chayah, livre das rodas encarnatórias. Eis que são mais que gozosos esses prazeres que se dão nas dimensões superiores do Éden Superior.

A Kabbalah prática ensina-nos não a destruição de desejos, ou prazeres, mas a alegria suprema de, em Hessed, sublimá-los. Ensina-nos em rigoroso aprendizado, mercê de exemplos e lições de como somos senhores de nossos desejos, a orientar nossas vontades para a certeza de nossas convicções e propósitos. O aprendizado da Kabbalah prática nos leva à prática de tomadas de Consciência de nossos poderes através de práxis milenares de boa ética e de buscas inelutáveis de superação. A Kabbalah, apenas metodologia rigorosa de ”aprender a ser”, é um caminho especial, entre outros tantos de aplicação de uma teosofia experimentada e praticada há mais de 5.000 anos. A sua força vem da sua Tradição.

Na Kabbalah aprendemos desde muito cedo que existem três dimensões: ATSMUT (essência) AIN SOF (Infinitude) e NESHAMAH (alma). Deveras, todas estas dimensões são a Consciência, ela mesma, essência que a tudo envolve. Assim, Neshamah, alma, é apenas uma dimensão dessa Consciência, quando as suas cinco rotações não são senão estágios dessa mesma Consciência, a saber: Yechidah, Chayah, Neshamah, Ruach e Nefesh. 

Nessa nossa realidade, a encarnação, experimentamos, Nefesh (vitalidade), rotação rudimentar da alma mineral, vegetal e animal; Ruach (espírito universal que se evidencia pela Psique) e Neshamah, alma humana propriamente dita.

Na prática dessa concepção estabelecida ficam os fundamentos que nos orientam:

O Nome de Deus (o Tetragrammton)
O Alfabeto hebraico
A Árvore das Vidas

Ora, em conhecendo seus fundamentos e compreendendo as dimensões em que nos situamos, o desafio é só caminhar e crescer.

Fica, pois, um convite, venha participar desse caminho e partilhar dessa metodologia conosco.

Obrigado. Paz plena!

Ano XI do 3º Milênio. Regência CAPH.

(Arquivo: Palestra realizada nas Livrarias Catarinense, no Beiramar Shopping em 26/03/09, às 19:30hs).
ROTEIRO. Trata-se apenas de um roteiro temático, reservando-se ao palestrante variações outras em suas explanações, conforme lhe pareça o interesse público.


sexta-feira, 23 de março de 2012

Cursos de Cabala a serem ministrados a partir de 31 de março, em Curitiba/PR, por Ozampin Olafajé

A Árvore das Vidas (Árvore Sefirótica)

Um diagrama da Eternidade

Este diagrama é o que há de mais importante no aprendizado da Cabala. Onde você se situa agora.
Árvore das vidas porque a palavra vidas, haim, em hebraico, é sempre plural, porque as vidas são muitas e diversas, e sobretudo simultâneas. A Árvore ensina que ninguém morre, muda-se de planos e dimensões os quais são experiências de vidas. As letras do alfabeto hebraico de que tanto já falamos representam caminhos que trilhamos vidas afora. Assim, a Árvore retrata campos de tensões que os mundos representam, e como as vidas são simultâneas, essas letras, caminhos, reportam-se a fluxos, influxos e refluxos que a alma humana vivencia para ser e crescer, que é o viver. Dessarte, cada momento refere-se a instantes próprios desse  trajeto de imortalidade. Deus é eterno, a alma humana como fruto deste poder é apenas imortal. Assim, a Árvore é sempre aquele aspecto vivenciado pela alma imortal no momento em que é focada; daí a importância do foco para a Cabala. As letras também se relacionam com fluxos, refluxos e influxos, são caminhos de ida e volta,  de ascensão  e descensão, que a alma experimenta na suas encarnações simultâneas e às vezes sucessivas. Como tal a Árvore que em última análise revela o processo da divindade na sua criação, acaba por ser a reprodução da experiência anímica. Trata das vidas que ocorrem nos diversos mundos. Em suas mudanças de planos. Não há morte na Árvore, já que a alma é imortal. E não se pode nem se deve querer interpretá-la em um só plano. E como não existe nem espaço nem tempo para a Eternidade, a alma experiencia tudo em um só momento, que é parte da Eternidade. Portanto, a Eternidade é a experiência do Aqui e do Agora. O ser humano é imortal, mas Deus é eterno, O Eterno, louvado seja.
Portanto, não crer em Deus é negar as vidas e a Eternidade: - sandice das sandices! Que pena que alguns de nossos semelhantes padeçam dessas crenças, meros eneagramas cerebrais.
A Cabala visa ajudar-nos para que em nos ajudando possamos criar uma humanidade cônscia e solidária. No mais, esses mundos como não são físicos e são tão somente autênticos estados de consciência, Consciência sim que tudo aplaca, que tudo plasma e que é a força da Mente Divina e revela o próprio Eterno, Oh Santo dos Santos, Louvado seja Vossa Misericórdia, em nos permitindo conceber Vossos mistérios, e, mais, até, sermos partícipes deles. O Eterno é Bondade e Compaixão (Tiferet).
Não basta estudar a Árvore das Vidas, mister encarná-la, vivenciá-la. Isto é crescer.

PRÁTICA: - coloque sempre a figura da Árvore na parede de sua sala ou quarto. Contemple-a diuturnamente. Experimente subir pelos seus caminhos desde Malcult até Tiferet pelas letras: Resh (cabeça); Tov (o bobo, o homem encarnado, seus desejos e aspirações) e pela Shin (o mundo, aquele plano no qual se encarna neste momento focado). Aprenda a vivenciar a sua existência momentânea, pela Árvore de coração e de mente. E subir pelo caminho da flecha, da honestidade experimentando os fluxos do Poder Divino em Tiferet e cresça (conscientize-se) para outros mundos de Luz absoluta. Luz Plena!
A Árvore das vidas é a vida no momento em que você a percebe e dela deve participar. Isso é a imortalidade. Ninguém morre. Despimo-nos da experiência material tão somente. Mas isso se dá a toda hora, conquanto que nos elevemos aos mundos superiores representados graficamente na Árvore a partir do triângulo Gevurah – Tiferet – Hesed.
Oxalá então possa surpreender o relâmpago que desce no trajeto de vidas imortais, caminhos sutis da Consciência.
Que na vivencia desses caminhos possamos chegar ao SER que existe em nós (Tiferet).

Paz Plena!