DEUS E O COMPASSO. Nesta pintura de William Blake, Deus utiliza um compasso para tornar real o desenho criativo.

sábado, 14 de maio de 2011

O DIA DE D’US E A IDADE DO UNIVERSO

Muito, muito tempo antes que a cosmologia hodierna chegasse às suas conclusões sobre a idade do Universo, isso já era uma preocupação da Kabbalah, conforme assinalam registros históricos.


O Rabino ISAAC DE ACO (1250-1350), conforme nos reporta o mestre Aryeh Kaplan, fez uma interpretação bastante elucidativa do conceito dos ciclos sabáticos, de que já falávamos em artigo anterior.

Ora, dizia o rabino, se os ciclos sabáticos existiam antes de Adão e o mundo referente a esses ciclos já tinha 42 mil anos (sexto ciclo: 6x7=42) quando Adão apareceu (é válido considerar que a humanida já existia antes de Adão. Ele seria tão só aquela criatura especial a partir da qual surgiria uma nova humanidade; tal qual, na mitologia egípcia, é com o surgimento de Osíris, o senhor do Amentet, que a alma viria fazer parte das criaturas humanas); continuando a explicação do rabino: se assim o fora, a cronologia desses ciclos deveria ser medida não pelos anos humanos, mas pelos do Divino. E o Midrash explica que um dia do Divino dura mil anos terrestres.

Assim temos: ano terrestre=365 ¼ de dias, equivalente a 365.250 anos.

Conforme conclui o rabino Isaac de Aco, levando em conta os 42 mil anos dos ciclos sabáticos (ref. a Adão), teria o universo a idade de 42.000 x 365.250 = 15.340.500.00 (quinze bilhões, trezentos e quarenta milhões e quinhentos mil anos).

A cosmologia altamente desenvolvida, orgulho da ciência atual, estima, em se reportando ao BIG-BANG, que a idade do universo é de mais ou menos 15 bilhões de anos !

Vejam só, a TORÁ ESCRITA, em uma de suas vertentes, já o assinalava há mais de setecentos anos; daí a procedência do Hafoch ba vahafoch ba dechula ba, ou seja, Revise-se (a TORÁ) vezes e mais vezes, pois tudo está nela.

Paz Plena,

Ozâmpin, maio de 2011.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

O TEMPORA ! O MORES !

O TEMPORA ! O MORES !

Sombrias observações ocorrem-nos, não raro quando nos damos conta da dança, do que chamamos de valores história afora.

Os Anciãos, ou “os Antigos” nas sociedades do médio-oriente na Antiguidade eram referidos e tidos como pessoas que adquiriram “status” especial de respeito e consideração e, mesmo de tácita autoridade, nem só pela idade, antes pela sabedoria que a idade revela, mas, também, pela posição de importância que a experiência de vida que alcançaram outorgava-lhes.
Pintura de Rembrandt
Na história de Israel desde muito cedo se reconheceu o elo entre a dignidade do Ancião e a posição de liderança ou de comando por ele exercida. (Ver, entre outros, Ex. 3,16). A primeira menção relevante pode ser anotada em Números 11, 16.24, quando o Eterno ordena a Moisés de reunir setenta homens conhecidos do povo como antigos magistrados encarregados de participarem da experiência da Divina Presença, de receber a inspiração e de dividirem a responsabilidade do comando com Moisés.

Na introdução de AVOT,  a mishnah afirma que nos tempos bíblicos, os Antigos foram encarregados de manterem a continuidade da tradição religiosa, após a morte de Josué e, que, enfim, foram os Antigos que transmitiram essa responsabilidade aos profetas.

Outrossim, já na época talmúdica o título de Antigo fora identificado com erudição, demonstrando até que o hebraico “zaqen” é como tal um acrônimo de “aquele que adquiriu a sabedoria.”

Nos tempos de hoje, quando a tecnologia vem suprindo com sobeja satisfação a sabedoria, já pela sua imediata praticidade, já pelo fascínio de sua constante transformação utilitária para a produção de bens de consumo; a produzir mais e mais riquezas à satisfação da sofregidão consumista, a figura dos Antigos não só se extinguiu – e quanto aos antigos e aos idosos, sem nenhuma serventia nessa nova era; muito bem, e deveras, apenas denominados de macróbios,  dignos tão somente de comiseração, senão de desdém e despreço; inúteis que são para a produção e fracos para o consumo (pois, só consomem remédios) – como se tornou depreciada, e acaba por se constituir em um sério e incômodo problema para o Erário Público, haja vista o distrato que merece a nossa Previdência no Brasil !

Quem guarda sua boca e sua língua, guarda sua alma de penúrias. (prov. 21-23)

Paz Plena,

Ozâmpin

ENSINAMENTOS

Hilel dizia: - O inculto não teme o pecado, o ignorante não pode ser piedoso, o tímido não pode aprender, o irascível não pode ensinar; nem todos que se deixam absorver pelos negócios podem tornar-se sábios, e num lugar onde não houver homens, trate de ser o homem. (Mishná, 6)
Entrada da tumba de Hilel, o ancião
Imagem: Wikipedia

quinta-feira, 5 de maio de 2011

KABBALAH: UM PARADIGMA ATEMPORAL

Hafoch ba vahafoch ba dechula ba.
(Revise-se (a TORÁ) vezes e mais vezes, pois tudo está nela.)

Além, muito além de rígidos conceitos e de “eternas verdades” a Kabbalah se recria, por vezes e por vezes, nas trilhas traçadas por seus sábios; daí por que para acompanhá-la temos de nos manter alertas, estudando e de olho vivo (significados da letra “ayn”) nas rotações de suas concepções.

Arych Kaplan, mestre insuperável no seu afã de “conectar a ciência à TORÁ,  a filosofia à ação e o misticismo à lógica” como tão bem o definia o rabino Pinchas Stolper, traz-nos à luz um antigo trabalho cabalista atribuído ao tanaíta do primeiro século dessa era comum, o Rabi Nechunia ben há-Cana, intitulado Sêfer há-Temuná que trata dos ciclos sabáticos (shemitot) baseado no ensinamento talmúdico de que: o mundo existirá por seis mil anos, e, no sétimo milésimo ano, será destruído.

O Sêfer há-Temuná, no entanto, ressalva que este ciclo de sete mil anos é tão só, - prestem atenção – um ciclo sabático, conforme a opinião de que este universo atual teria 42 mil anos de idade, de quando Adão foi criado.

De acordo com o Sêfer há-Temuná, portanto, houve outros mundos antes de Adão ter sido criado, que se referiam aos mundos de ciclos sabáticos anteriores. Como há 7 ciclos sabáticos em um jubileu, há mundo de quarenta e nove mil anos, o que pode-se ligar aos 50 mil anos das eras do hinduísmo (as Yugas, já que estamos nos meados da Kali-Yuga, uma era de ferro). Outras implicações desses shemitot são as ilações possíveis às mais recentes teorias dos universos paralelos.

Conforme o Midrash D’us criou universos e os destruiu (Sêfer há-Temuná, 314)
O Ari (Isaac Luria) interpreta esse ensinamento como se tratasse de universos espirituais e não físicos. E, na verdade, como estágios de consciência, são mesmo espirituais e físicos.

Alguns falam de 974 gerações antes de Adão. Se Moisés era a 26ª (reparem no maior de 26, de Adão a Moisés, número que nos remete ao Tetragrammaton Sagrado (valor numérico de)) depois de Adão, pode bem ter havido outras gerações (974) antes de Adão.
Tetragrammaton
Ora, se não há nem tempos nem espaços na Eternidade, os universos paralelos se dão simultaneamente !

O tema é rico de sugestões e de elocubrações, por isso mesmo, retornaremos... e, com outras abordagens como a Idade do Universo ou o significado de um dia do Senhor, em contestando, duma feita, aquela visão estreita dos fundamentalistas cristãos que adotaram a idéia do “criacionismo”, uma interpretação absolutamente linear e literal do texto bíblico, por ignorarem as revelações da TORÁ ORAL.

Paz Plena !

Ozâmpin

LUMINOSIDADES

METANÓIA, s.f. (do grego metánoia)
Transformação básica do pensamento, ou do caracter. 2. por extensão Conversão espiritual.

Esta definição de metanóia nos remete ao Arcano XVI, a TORRE, do TARÔ (mera aplicação da sistemática da Kabbalah), quando essa transformação, ou até mesmo essa mutação do pensamento, é simbolizada, pictoricamente, pela fulminação da torre por um raio.
A TORRE
Esse sentido simbólico é expresso pela letra “ayn” do alfabeto hebraico que faz a ligação de Tiferet (o raio de luz da Consciência Superior) iluminando a mente concreta de Hod, demonstrando que o pensamento lógico e racional carece da luz da Consciência Superior, ou seja, dos mundos supernos.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

LUMINOSIDADES

GALYA RAZA (o revelador de segredos), obra de autor desconhecido, assinalava que a transmigração das almas (metempsicose) seria castigo para os pecados, quando o ser que se revestiria de certa forma refletiria então a natureza de seus pecados. Essa idéia de que a alma humana poderia reaparecer no corpo de animais teria tomado corpo por longo tempo. Na verdade, segundo Heródoto, historiador grego da antiguidade caberia aos egípcios a primazia dessa concepção: “os egípcios foram os primeiros a acreditarem na metempsicose”.
Busto de Heródoto, cópia romana do século II,
no Stoa de Átalo, Atenas
Ari, o Leão de Safed, identificaria em um grande cão preto a alma de um fornicador. Sem dúvidas, a exposição mais sistemática dessa concepção vai ser encontrada nas obras do rav. Hayim Vital, discípulo do próprio Ari (Isaac Luria). Segundo esse sistema luriânico, cada uma das cinco partes da alma (as ditas cinco rotações: Yechidah, chayah, neshamah, ruach e nefesh), migraria independemente, de corpo em corpo.

Dessarte, cada alma pode ser tomada como uma combinação de elementos que teriam vivido no passado em diferentes circunstâncias, cada um deles tendo necessidade de certa sorte de ticcum (melhoramentos e/ou correções). A influência da obra de Vital tornou corrente o conceito de transmigração no misticismo hebraico até a época moderna.

Saltando dessa concepção às mais recentes teorias quânticas dos “universos paralelos”, ou dos “multiservos”, podemos cogitar que partes d’alma é que experimentam vivências em diversos universos, tudo, enfim, como partes fragmentadas de Adam há Rishon.

Vale a pena essa especulação !

Como curiosidade luminosa !